SATA: Incidências da respetiva operação em Santana nos 82 anos da sua fundação

Vencidas mais de oito décadas sobre a fundação da SATA, recordamos algumas efemérides respeitantes à respetiva operação em Santana (SMG /LPML):

Os voos estavam condicionados ao nascer e ao pôr do sol;

Quando havia aterragens noturnas, em circunstâncias emergentes, usavam-se “goose necks” (bailarinas), alimentadas a petróleo, para demarcar (iluminar) as bermas da pista de serviço;

Em condições de pista molhada, procedia ao cálculo do coeficiente de travagem (para avaliar a aderência do piso respetivo – em macadame), com recurso a uma viatura ao serviço do aeródromo;

Dos procedimentos de check-in fazia parte a pesagem dos passageiros para garantir que a massa e centrarem dos pequenos aviões “Dove” era efetuada dentro dos limites estabelecidos;

As rádio ajudas limitavam-se a um NDB (rádio farol não direcional) perpendicular às pistas (BB7 ao tempo dos militares e SML após a passagem a infraestrutura civil) e o MAP (Missed Approach Point) era calculado com recurso a cronómetro acoplado ao manche);

Antes da entrega dos aviões à linha, era efetuado o chamado “ponto fixo” pela equipa de manutenção (experiência dos motores e verificação dos equipamentos rádio).

Este último procedimento implicava levar os motores à rotação máxima, verificar os magnetos, determinar as pressões do óleo e comunicar com a torre, através de chamada na frequência de Rabo de Peixe: 118.1 e 30.23.

As pistas em uso eram a 31-13 e a 06-24. Não havia aterragens com passageiros na pista 24 por causa da elevação próxima da respetiva cabeceira ali existente;

Normalmente, os passageiros que viajavam nos “Dove” tomavam o avião na placa asfaltada junto ao hangar, mas os dos “Dakota”, introduzidos mais tarde, tinham de atravessar a estrada que separava o terminal da placa improvisada que lhes estava reservada, por serem maiores (transportavam 28 pax e os “Dove” nove, no máximo).

O número de voos cancelados em Santana era muito elevado no inverno, devido às condições muito frequentes de pista alagada, à fraca visibilidade e aos ventos cruzados acima dos mínimos operacionais.

Esta situação afetava sobremaneira os emigrantes, que perdiam, não raras vezes, os seus voos de ligação em Santa Maria, enfrentando, algumas vezes, situações dramáticas em relação à manutenção dos seus empregos.

Entretanto passaram-se mais de sessenta anos e muito mudou em termos de acessibilidades e de conforto e segurança a bordo dos aviões.

Ermelindo Peixoto (PhD) – Autor do livro comemorativo dos 65 anos da SATA

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