O Natal nos Açores

A época natalícia nos Açores é vivida com várias tradições que importa conhecer. Desde um bolo muito especial, passando pelos diferentes presépios e ainda às visitas a casas de amigos com uma palavra-chave muito especial, importa conhecer um pouco mais da cultura local.

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O arquipélago dos Açores tem tradições de Natal únicas. Uma das mais peculiares e reveladora da informalidade local é a “o Menino Mija”. Desde o dia 24 de dezembro até ao dia de Reis, homens e mulheres formam grupos para visitarem as casas de amigos e familiares, onde lhes esperam doces e licores tradicionais. Antes de entrarem nas casas, têm de fazer uma pergunta que lhe abrirá as portas: “O Menino mija?”. Esse menino é, obviamente, o menino Jesus. Esta forma descontraída de criar convívios é uma das tradições destas paragens que perdura ao longo dos anos.

Em cima das mesas dos açorianos é comum encontrar o Bolo de Natal dos Açores, uma especialidade local, feita à base de mel de cana, Vinho do Porto, aguardente, especiarias e frutos secos e cristalizados.

Este bolo tem a particularidade de ter de ser preparado com cerca de duas semanas de antecedência, dando tempo aos ingredientes para se misturarem todos em harmonia e ficarem com a consistência e sabor certos.

A visita aos presépios é algo que os açorianos também levam muito a sério durante a época natalícia. Existem vários exemplares espalhadas pelas várias ilhas do arquipélago. E cada um deles é único na forma como estão representados. Dizem os locais que, na vasta oferta, ainda assim aqueles que se destacam são os das Furnas, Casa do Arcano, Manaias e Prior Evaristo Gouveia, na ilha de São Miguel.

Depois há ainda a construção dos presépios de “lapinha”, uma arte cuja origem se situa no século XVI. A história conta que foram introduzidos na ilha de São Miguel pela Ordem dos Franciscanos, onde as freiras desses conventos decoravam os presépios com os pequenos elementos do quotidiano, que tanto podiam passar por pequenas conchas, flores artificiais, penas, escamas de peixe, musgo seco, papel, algodão e pequenas figuras de barro para representar a Sagrada Família. Os presépios de lapinha são uma peça delicada, e por isso são resguardados no interior de uma redoma ou até mesmo em pequenas caixas de vidro para serem facilmente expostos e o seu recheio ser facilmente apreciado por qualquer um.

Outra das tradições açorianas é o Dia das Montras, que normalmente ocorre no dia 8 de dezembro, data em que se celebra em Portugal a Imaculada Conceição. Este marco no calendário abre portas à realização de concursos de montras, organizados pelos municípios açorianos, de modo a promover o comércio tradicional. Os comerciantes empenham-se assim na decoração dos estabelecimentos locais com atrativos materiais, produtos e imagens alusivas a esta altura tão especial do ano. Como as ruas estão já iluminadas e devidamente decoradas com os típicos ornamentos natalícios, os clientes são atraídos naturalmente, debaixo do sentimento da época, para realizarem as compras das prendas que irão depois ser trocadas, em família, na noite de Natal.

Para além da tradicional Missa do Galo, os açorianos também não dispensam os coros natalícios. E entre o mais famoso e já tradicional, sem o qual não seria Natal, temos o concerto de Natal do Coral de São José, na igreja com o nome do Santo, em Ponta Delgada. São cerca de 70 elementos que apresentam um reportório diversificado com as características composições clássicas e também com um toque de modernidade. Ideal para todas as idades e para juntar famílias de modo a criar memórias atlânticas que irão perdurar pelos anos vindouros.

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