Da Lota ao Porão

Se tiver curiosidade em perceber porque razão trocamos o aeroporto pela lota numa manhã fresca do mês de junho, acompanhe esta nossa visita de estudo à lota e descubra o circuito do bom pescado dos Açores.

Quem tem a obrigação de se preparar para os piores cenários de crise sabe, pelo menos em teoria, que toda a crise esconde uma oportunidade. E, se é verdade que a pandemia não trouxe coisas boas, acabou por confirmar que o futuro sustentável que todos desejamos, só se constrói em cooperação e com o esforço de todos.

Decidimos palmilhar este caminho em conjunto com os nossos clientes e parceiros, pois cremos que podemos encetar um novo capítulo na história do transporte aéreo de carga entre os Açores e o resto do Mundo. Siga-nos. Venha daí connosco e acompanhe mais esta nossa “viagem”!

05H30 LOTAÇOR, PORTO DE PESCA DE PONTA DELGADA:
Com encontro marcado à porta da Lotaçor, juntaram-se as administrações e as equipas de gestão do Grupo SATA e da Lotaçor, numa visita amavelmente guiada por Pedro Melo, Secretário-Geral  da Associação dos Comerciantes de Pescado dos Açores.

Antes mesmo de entrar na lota, Pedro Melo adverte: “De há uns tempos para cá, a quinta-feira é um dia em que a pesca é mais fraca. Há menos espécies capturadas, há menos peixe para venda”. No seguimento da conversa, Cíntia Machado, Presidente do Conselho de Administração da Lotaçor, acrescentou que esta era a razão pela qual o leilão de pescado de hoje, teria menor afluência do que o que costuma acontecer, por exemplo, às segundas-feiras.

Começar por perceber como chega o peixe à lota, como se conserva durante o percurso, como se organiza a compra de pescado, que quantidade se adivinha para exportação, é um primeiro passo, pois é precisamente aí que começam os problemas. E porquê? Porque se a captura é algo imprevisível, os exportadores de pescado não saberão, à partida, que quantidade de pescado terão para transporte aéreo. E, não sabendo ao certo que quantidade existirá, reservam um espaço aproximado nos porões das aeronaves. E quando esta estima não bate certo, todos perdem com isso. Perdem os comerciantes de pescado, cuja reserva de espaço não utilizam; perde a companhia aérea, que declina outros transportes. Encontrar a melhor solução para todas as partes envolvidas é um dos objetivos deste encontro.

06H00 HÁ O LADO TERRA E O LADO MAR
No aeroporto há o lado terra e o lado ar e na lota é igual.
O lado mar é onde chegam as embarcações para descarregar o peixe. E embora não tenha sido possível assistir de perto ao acostar do “Diana Catarina” ou do ”Lucrécia”, é impossível ficar indiferente à paisagem que nos rodeia. O dia amanheceu cinzento e, no horizonte, o céu e mar confundem-se. O lado mar da lota é extraordinariamente bonito. Faz-nos pensar o quanto é importante encontrar um justo equilíbrio para que possamos extrair o que a natureza nos pode oferecer sem ferir o extraordinário habitat que é o nosso mar. A pesca praticada nos Açores é uma pesca sustentável, responsável, e é importante que o Mundo inteiro saiba disso, e valorize o nosso pescado também por isso. E este é o caminho que procuram criar os responsáveis pelo sector.

06H15 MANTER A FRESCURA DO PEIXE ATÉ AO SEU DESTINO
Mas se a qualidade e frescura do pescado dos Açores é bem conhecida, a verdade é que para conservá-la, a mãe natureza precisou de uma mãozinha humana. Percebemos que as espécies capturadas são medidas a bordo das embarcações; que abaixo de uma determinada dimensão o único gesto a adotar é devolver o peixe ao mar; que chegando à lota, este gesto de responsabilidade ambiental é conferido ao milímetro; que depois do desembarque, a captura é etiquetada por forma a ser clara a sua origem. A caixa azul forte que veremos mais adiante bem cheia de gelo devidamente tratado, entra no circuito e passa a ficar nas mãos das equipas da Lotaçor que tratam de separar e perfilar o pescado para que seja apresentado ao comprador. E assim se inicia a fase de leilão.

06H30 SIM, O PEIXE TAMBÉM VAI A LEILÃO!
A luz do dia começa a surgir no horizonte, mas no interior da lota, o leilão já está quase a terminar. Graças à boa utilização da tecnologia, as caixas de peixe desfilam à nossa frente e o comerciante de pescado, do alto do anfiteatro, compra por telecomando. No televisor, inscreve-se a informação sobre o produto. São inúmeras espécies que se exibem à vez, num desfile que parece não ter fim. Ao longo do trajeto, ouvimos repetidas vezes um sinal sonoro e, logo a seguir, passamos a saber que o peixe foi vendido ao preço que surge no écran. É surpreendentemente sofisticado o sistema de leilão do peixe. Engane-se quem pensaria ver um leiloeiro pegar o peixe pela cauda e gritar um preço para o ar. Esse tempo acabou! O cheiro intenso a peixe também desapareceu: o ambiente é limpo e aclimatizado. É surpreendente!

07H30 VENDA TERMINADA É TEMPO DE PREPARAR A EXPEDIÇÃO
Por volta desta hora, já os compradores de pescado terminaram a aquisição. Há uma parte significativa que é destinada à exportação. E é este ponto que mais importa à SATA Cargo. A partir deste momento, o exportador de pescado e a transportadora estão irremediavelmente juntos. O peixe deverá seguir para ser devidamente acondicionado. É importante que nada verta das caixas para o porão. O sal é corrosivo e há que cuidar, também, das aeronaves que transportam o bom pescado dos Açores. Um trabalho de equipa, portanto, que conta com o sentido de responsabilidade, de todos.

08H30 E DO LADO DO EXPORTADOR: O QUE ACONTECE?
A visita começou na lota mas não terminará aqui. É preciso perceber que dificuldades sentem os nossos Clientes, o que podemos fazer para ajudar e diminuir a sua ansiedade. Sempre guiados por quem sabe, Pedro Melo leva-nos até à empresa Lurdes Narciso, LDA. É uma empresa familiar, referencia incontornável no Arquipélago dos Açores, galardoada em 2019 com a distinção “ Melhor Empresa dos Açores”. Carmen Narciso recebe-nos à porta. Minutos depois, visitam-se as instalações na companhia de Edmundo Narciso, comerciante-exportador.

Pai e filha confirmam: o pescado dos Açores é reconhecido, muito procurado e cada vez mais apreciado. É incomparável no gosto e na frescura. E manter a sua frescura passa a ser a responsabilidade do exportador. É com cuidado e organização que se acondiciona o pescado em caixas de esferovite, bem seladas. Os volumes são etiquetados e seguem viagem, em carrinha refrigerada, até ao aeroporto. Estamos quase no fim do circuito. Do outro lado, nos escritórios da SATA Cargo, já se sabe que há peixe fresco e que a prioridade de embarque deve ser garantida. Há que organizar o espaço disponível, definir o que é prioritário e o que pode esperar. A decisão nem sempre é fácil: não se quer prejudicar ninguém. A satisfação do Cliente, é a prioridade.

10H30 O TRANSPORTE DE CARGA: MAIS DO QUE UM NEGÓCIO UMA MISSÃO
Voltamos ao inicio, ao COVID-19 e ao que a pandemia nos ensinou: aprendemos, por exemplo, que podemos parar de viajar em lazer mas dificilmente passamos sem bens de primeira necessidade. Que existe uma forte interdependência entre todas as Ilhas do Arquipélago e que o Grupo SATA, tem um papel importante a desempenhar neste cenário. Nos últimos meses, a dianteira da operação aérea foi tomada pela SATA Cargo, que abraçou com o espírito de missão e em estreita cooperação os Clientes, a manutenção de uma operação cargueiro diária. Para além do transporte de material de uso hospitalar ou de primeira necessidade, não foi esquecida a necessidade de assegurar o transporte de bens alimentares para o exterior, por forma a permitir que se continue a afirmar a excelência dos produtos dos Açores em mercados altamente competitivos.

Chegando ao fim do percurso e da visita, o principal desafio com que se depara a companhia aérea é a disponibilidade de espaço que é necessário criar, por vezes, quase em cima do fecho do voo. Os bens perecíveis como o peixe assumem prioridade mas, como vimos, a previsão da captura é apenas estimada. E quando a faina é generosa, os porões enchem-se rapidamente de caixas de esferovite contendo pescado. Tendo como objetivo a satisfação dos nossos clientes, procuramos a melhor solução para cada situação sabendo que, unindo esforços, chegaremos sempre a melhores resultados. E esta parte do caminho, no Grupo SATA estaremos sempre dispostos e fazer, por sentir que há um futuro melhor que nos espreita e porque temos absoluta certeza de que #juntos voamos melhor.