Coliseu com aplauso

Bailado, teatro, ópera, rock, circo, bailes, banquetes, desfiles de moda, exposições… só num lugar de sonho. Assim é o Coliseu Micaelense, que está a celebrar um século de vida.

 É a maior casa de espetáculos dos Açores e viveu épocas de ouro e épocas de menor fulgor. Mas resistiu ao tempo e, hoje, é de novo uma sala que faz jus aos seus pergaminhos.

Situado na boulevard Roberto Ivens, em Ponta Delgada, o Coliseu Micaelense – que inicialmente se chamou Coliseu Avenida – foi projetado pelo arquiteto António Ayala Sanches e inaugurado a 10 de maio de 1917. O escultor Canto da Maia e o pintor Domingos Rebelo tiveram oportunidade de legar a sua arte à decoração.

A construção do edifício representou o apogeu do uso do ferro na arquitetura local dos primeiros vinte anos do século XX, de acordo com um estudo efetuado pelo seu atual diretor, Miguel Brilhante, em cujas páginas se refere que “o desenho proposto revela o lado tradicional e eclético da arquitetura fim de século, com referência Beaux Arts.

A primeira sessão de cinema do Coliseu foi de um filme mudo, que a orquestra de José Cordeiro teve o ensejo de acompanhar. E as suas plateias fizeram os anos vibrar com filmes como o Conde de Monte Cristo, o Charlot, o Tarzan, A Canção de Lisboa…

O teatro trouxe igualmente ao Coliseu incontáveis sucessos. Maria Matos pisou-lhe o palco em 1921, mas o circo, as companhias espanholas de Zarzuela e as peças de cariz popular de José Barbosa encheram de festa as horas de muitos milhares de micaelenses que não se cansaram de esgotar as suas sessões.

A partir dos anos oitenta, a atividade da sala ficou praticamente reduzida aos Grandes Bailes de Carnaval que, todos os anos, ilustram o melhor entusiasmo da população local. Contudo, os bons tempos regressariam nos primeiros anos do século XXI, pela intervenção do Município de Ponta Delgada, que adquiriu o imóvel e o sujeitou a obras de recuperação. Presentemente, o edifício dispõe de cinco valências, vocacionadas para a realização de colóquios, jantares, danças de salão, concertos e todo o tipo de espetáculos, que trazem de volta ao segundo Coliseu do país o glamour de um aplauso, cujo eco se prolonga no tempo.