Pelos Açores voamos até onde for preciso

Antes da descolagem de qualquer voo da SATA | Azores Airlines, há sempre um trabalho de bastidores que é necessário realizar. É assim desde 1947, mas nos dias que correm, e perante o cenário de pandemia, os trabalhos em terra e no ar redobram. E é por isso, e por outras razões do coração, que a nossa missão para a China, assumiu um carácter tão especial.

Consigo, que tem sido um fiel seguidor, partilhamos mais uma história bonita, que nos encheu de orgulho e que só reforçou a nossa paixão pelo voo e pelos Açores.

A preparação de um voo nunca se faz de uma hora para outra, mas é certo que quando a rotina se instala e é necessário preparar mais de uma centena de voos diários, o trabalho das equipas de Back Office, quer sejam comerciais ou operacionais, acabam por diluir-se perante o que mais importa: descolar e aterrar em segurança, a horas, cumprindo com o que se espera de nós.

Mas, desde que os céus da Europa e do Mundo se fecharam, a vida das companhias aéreas transformou-se. E na SATA | Azores Airlines não foi diferente. Numa primeira fase, foi necessário diminuir gradualmente a operação e acomodar os passageiros; numa segunda fase, foi necessário dar por encerrada a operação comercial; numa terceira fase, foi imperativo montar uma operação cargueiro. O voo para a China encontra-se nesta terceira etapa: voos de carga operacionalizados com o objetivo de assegurar o transporte de bens essenciais para o Arquipélago dos Açores. Um trabalho de equipa, em que as duas transportadoras se completam mais do que nunca e que tem acontecido, de forma ininterrupta, desde o passado dia 19 de março de 2020.

MONTAR A OPERAÇÃO

Uma operação aérea ad hoc, como a operação cargueira entre a China e Ponta Delgada, saí sempre do registo rotineiro das operações da SATA | Azores Airlines. Contudo, em época de pandemia, exigiu um trabalho de preparação adicional, perante as restrições impostas pelos Estados e face à alteração permanente das mesmas. Foi o que aconteceu com a operação para a China. As regras alteraram-se a meio do processo, e foi necessário mobilizar esforços e envolver diversas entidades dos diversos Países. Não será exagero dizer-se que, nos três dias que antecederam esta operação, as áreas operacionais que asseguram a operação aérea trabalharam a contra-relógio e sem perceber em que altura  terminava o dia e começava a noite.

Um trabalho de equipa, realizado a contratempo, sem olhar às horas, mas com o ponteiro num só objetivo: trazer um carregamento de material hospitalar para a Região Autónoma dos Açores.

Enquanto se preparava a aeronave de acordo com as recomendações emanadas pela EASA (European Union Aviation Safety Agency), eram convocados os tripulantes do voo e a equipa de suporte que acompanhou a tripulação de cockpit e o elemento de cabine. Onze elementos disseram “presente” e partiram para esta missão em regime de voluntariado. Seis pilotos, uma assistente de bordo, dois Load Masters, dois Técnicos de Manutenção de aeronaves. Sendo um voo longo, com uma paragem na ida e duas no regresso, a redundância de tripulantes foi necessária. Ainda necessário, por questões de segurança e de salvaguarda de primeiros socorros e procedimentos de segurança, foi a presença de um tripulante de cabine. A juntar-se à tripulação de voo, embarcaram a bordo dois Load Masters (técnicos especializados no carregamento de aeronaves) e dois TMA (Técnicos de manutenção de aeronaves), não fosse existir durante a missão qualquer necessidade de intervenção por parte da Manutenção e Engenharia.

O voo descolou pelas 15h00, hora de Lisboa, tendo efetuado uma estala técnica em Novo Sibrirsk (Sibéria), aeroporto situado na confluência de rotas e muito procurado por companhias aéreas que pretendem chegar ao Leste Asiático. Foi a partir deste ponto que, por volta das 05h00 da manhã, presenteados pela beleza inarrável do nascer de um novo dia, que a SATA | Azores Airlines rumou a Xangai.

Chegados ao Aeroporto de Pudong, foi feito o carregamento do avião, com o extraordinário apoio dos agentes de handling locais e com a supervisão da equipa SATA | Azores Airlines deslocada. Três horas e vinte minutos depois, o avião CS-TSF voltava a ganhar asas e assim deu início à longa viagem de regresso a casa.

É um facto que o Airbus A321 Neo, sendo um avião vocacionado para rotas de curto e médio curso, não tem autonomia para cruzar de um lado ao outro do globo terrestre. Contudo, é certo que tem denotado ser suficientemente versátil para acudir a imponderáveis desta natureza. Com trabalho e boa vontade, não há nada que não se faça. Eis uma velha máxima que tem tanto de intemporal quanto de verdadeiro. 

O regresso a Lisboa aconteceu às 01h57m (horas locais), tendo a aeronave pernoitado no Aeroporto Humberto Delgado. Como a carga é demasiado preciosa, o porão da aeronave foi selado até ao dia seguinte, momento em que embarca outra tripulação, desta feita mais reduzida, encarregue da última “perna” desta missão, um Lisboa / Ponta Delgada, que aterraria no aeroporto João Paulo II por volta das 12h20m do dia 13 de abril.  Cerca de 3 horas foram necessárias para desembarcar cerca de 900 volumes, contendo 22.400 máscaras de proteção respiratória filtrantes, 240 mil máscaras cirúrgicas, 300 mil luvas, 33.500 óculos descartáveis e 20.300 batas.

Depois de desembarcados os volumes, foram triados e separados de forma a serem agora distribuídos, com ajuda das asas da SATA Air Açores, pelas restantes ilhas do Arquipélago.

Se há momentos em que nos orgulha pertencer a um grupo de transporte aéreo tão singular, este será seguramente um deles. Fomos à China pelos Açores, e de tudo faremos para que nada falte ao Arquipélago que nos viu nascer e crescer. É a nossa missão e um verdadeiro privilégio.

# Voamos juntos