É NOS MOMENTOS MAIS DIFÍCEIS QUE FAZ MAIS SENTIDO UNIR ESFORÇOS

ENTRE MUITOS EXEMPLOS QUE PODERÍAMOS DESTACAR: COMECEMOS POR ESTE.

Para proteção do Arquipélago dos Açores, para mitigação dos riscos, para zelar pelo bem-estar de todos os Açorianos foi decidido parar, gradualmente, com o transporte de passageiros entre as ilhas do Arquipélago e entre o Continente e as Ilhas. Uma medida drástica, necessária.

E se o transporte de pessoas deixou de ser prioritário, então o que poderá fazer mais falta aos Açorianos?

Claramente, transporte de bens de primeira necessidade, transporte de material hospitalar, transporte de casos de força maior, transporte de medicamentos, carga especial.

E como fazer quando a frota não se adequa ao tamanho do novo desafio?

Pôr mãos à obra e fazer o melhor possível, perante a realidade que se apresenta.

Foi precisamente o que fez, nas últimas semanas, a equipa de Manutenção e Engenharia da SATA Air Açores. São necessários técnicos altamente especializados para efetuar qualquer transformação numa aeronave.  Afinal, não se trata de rebaixar os bancos traseiros da viatura. É bem mais do que isso!

Como conta Nuno Rangel, Diretor de Manutenção e Engenharia da SATA Air Açores o processo de conversão foi efetuado em tempo recorde: “Reforçámos as nossas equipas para que a aeronave intervencionada pudesse operar em menos de 24 horas. Em paralelo, sobrepôs- se a necessidade de completar o processo de manutenção profunda que decorria no segundo Dash Q200, para que ficasse igualmente apto a voar mais cedo do que havíamos planeado. Perante as circunstâncias e com a prontidão de todos, organizámos os turnos das equipas, de modo a assegurar a continuidade dos trabalhos, ao longo de 24 horas”.

Um trabalho de equipa extraordinário que permitiu aumentar a capacidade do pequeno Dash Q200 em cerca de 65%. Dos habituais 908 Kg de disponibilidade de carga, passou para 1608 kg. No interior, ficou com capacidade para 29 passageiros. Com as restrições do momento, e para assegurar a distância social recomendada, poderão embarcar apenas 11 passageiros, em caso de força maior e por determinação da Autoridade de Saúde Regional.

Com os trabalhos concluídos, é tempo de carregar.

Os voos de transporte de carga fazem-se todos os dias. Uma operação circular para servir todas as Ilhas do Arquipélago. Do ponto de vista comercial, foram acionadas medidas para que empresários, entidades e clientes habituais possam, através de um contacto rápido, ver transportada a carga mais urgente, perecível ou indispensável, para quem mais precisa dela, neste momento. É o trabalho da SATA Cargo.

Todos os dias, os técnicos de tráfego de assistência em escala, cuidam para que a carga chegue em condições às nove ilhas do Arquipélago dos Açores.

É comum ouvir-se que é nas horas difíceis que conhecemos os amigos. É sabido o quanto há de verdade no dito popular. Pois se há  nota positiva a retirar desta situação de emergência em que todos nos encontramos, a forma solidária com que os serviços de terra e ar se tem articulado, a forma como os parceiros e clientes se têm adaptado e reagido, a forma como os passageiros têm demonstrado compreensão e afeto, só reforça o que todos sabemos:   nos Açores, quando a urgência nos bate à porta, forma-se ao largo do nosso extraordinário Arquipélago rodeado de tanto mar, uma  gigantesca onda de solidariedade, feita do melhor que existe em cada um de nós.

E isso, seja visto do ar ou a partir de terra, é sempre muito bonito de se ver!

Não se trata de uma lista de compras, mas é parecido.
A título de exemplo; eis o que se transportou, no passado dia 25 de março, a bordo do pequeno Dash Q200, em versão cargueira, numa viagem entre as Ilhas de São Miguel e Terceira.