A Introdução de um esquema gráfico novo!

Com os aviões da série 2B, é introduzido um novo esquema gráfico coerente, da autoria de Aljustrel Tostões, caracterizado pelo abandono do vermelho, substituído pelos “azuis atlânticos”, aos quais se juntou o amarelo-dourado da Região Autónoma dos Açores.

As faixas brancas sobre o fundo vermelho da deriva foram substituídas por um açor geometrizado, que terá incluído, de início, 8 estrelas (correspondente ao número de ilhas então servidas pela SATA) e, depois, 9 estrelas, representando a totalidade das ilhas dos Açores. A designação Air Açores (sugerida, em 1986, pelo Presidente Mota Amaral) e a introdução, pela primeira vez, do símbolo heráldico da RAA acompanhavam as novas cores.

Refira-se, contudo, que, à data da entrega dos equipamentos ATP (preliminarmente, portanto, ao início das ligações da SATA à ilha do Corvo, a nona a ser servida por aviões da Companhia, em 1993), o açor estilizado, da autoria de Aljustrel Tostões, já contava com nove estrelas. No entanto, esse facto, e a circunstância de serem, também, visíveis nove estrelas em fotos dos BAe748-2B datados de 1990, não anulam a possibilidade de ter sido acrescentada mais uma estrela ao esquema de cauda destes aviões em momento posterior ao da respectiva introdução na frota da SATA.

Mesmo assim, não foi encontrada qualquer documentação que nos esclarecesse sobre este importante pormenor distintivo do primeiro esquema gráfico em que foram introduzidos símbolos regionais, designadamente sobre o motivo da eventual inclusão de uma nona estrela no açor estilizado, em data anterior àquelas que marcou a expansão da malha de rotas da SATA à noma ilha dos Açores. Se tal sucedeu, supõe-se que o motivo se prenda pela necessidade de promover a unidade açoriana, representando no esquema gráfico dos aviões a totalidade das ilhas dos Açores, independentemente do número de ilhas então servidas pela Companhia.

 A única unidade HS-748 de série anterior (CS-TAO) que permaneceu ao serviço da SATA após a entrada ao serviço dos aviões da Série 2B ostentou, antes de lhe serem aplicadas as novas cores (introduzidas em 1987), um esquema gráfico híbrido, que, mantendo inalterado o até então utilizado, acrescentava-lhe apenas a designação de Air Açores, a preto (inscrita a seguir ao acrónimo SATA, na fuselagem). No entanto, ao retomar, temporariamente, aos Açores (entre 17-6 e 30-9-1990) este avião apresentou-se no já referido esquema de pintura all-white.

O mesmo sucedera, também, em 1973, com o CS-TAG, aquando da transição para o esquema gráfico que seria depois, substituído em 1987. Foi introduzido, inicialmente neste avião apenas o novo lettering SATA, do lado de esquerdo do avião, juntando-se-lhe, do lado direito do avião, o novel esquema da cauda, em vermelho e branco, característico da nova pintura então adoptada.

Sobre este facto, ponderámos a possibilidade de se tratar de uma forma de ensaiar, por fases, as novas cores nos equipamentos, de modo a observar, em ambiente real, o efeito que os motivos introduzidos (designadamente, o esquema de cauda) produziam, esteticamente, no avião, permitindo decidir (ao vivo) sobre a extensão do refreshing necessário (nenhum dos esquemas parciais mostrava, ainda, o filete lateral entretanto adoptado).

 No entanto, fomos alertados pelo Sr. Laureano Almeida, primeiro elemento de origem açoriana a fazer parte das tripulações técnicas da SATA, na década de 1960, para a circunstância de se terem verificado, algumas vezes, interrupções nos trabalhos de pintura desse avião (levados a efeito nos Açores), de modo a permitir o recurso pleno aos escassos equipamentos de voo então existentes (perante situações imprevistas, de falha dos meios operacionais entregues à linha).

Nessa altura, além dos Avros existentes ao serviço da Companhia, o COA da SATA incluía somente dois Dakota (ambos, raramente, em estado de voo), tendo os DH-104 Dove sido, entretanto, abatidos à frota, após cerca de um quarto de século ao serviço dos açorianos.

Ermelindo Peixoto (adapt)