O nosso destino: Montreal

O que mais surpreende em Montreal é a facilidade com que um europeu se pode integrar. A sociedade canadiana tem na sua origem a mistura entre ingleses e franceses, onde Montreal – a antiga “VilleMarie” (Cidade de Maria), que ganhou o seu nome devido ao “Monte Real” (“Mont Royal”) localizado no parque natural com o mesmo nome -, é a maior cidade da província Quebec, a parte francesa que está verdadeiramente na origem do Canadá.

Para perceber a importância deste nosso destino, onde vivem muitos portugueses, explique-se que, no ano de 1534, quando o explorador francês, Jacques Cartier, viajou para o Canadá em nome de França, há muito que os navegadores portugueses andavam a cruzar oceanos.

O rei de França, Francisco I, era então casado desde 1530 com Leonor da Áustria, uma princesa espanhola que, por sua vez, era viúva do rei de Portugal, D. Manuel I. Os franceses beneficiaram dos conhecimentos dos navegadores portugueses e, presume-se, da influência e dos conhecimentos adquiridos por Leonor durante os três anos em que foi rainha em Lisboa (1518 a 1521).

Anos mais tarde, o Quebec não se juntou às lutas dos estados vizinhos contra os colonizadores britânicos, naquilo que deu origem aos Estados Unidos da América. A província acabou depois por servir de “barreira” natural entre os norteamericanos e os britânicos. E, assim, de uma forma muito breve, nasceu o Canadá moderno, onde hoje Montreal tem um papel político e cultural a meio-caminho entre a Europa e os EUA.

Visite o seu porto e as lojas aí perto, aprecie as linhas arquitetónicas do Estádio Olímpico e recorde o 10 perfeito que a romena Nadia Comaneci alcançou nesse palco no ano de 1976. Veja a varanda da Câmara Municipal e imagine o antigo presidente Charles de Gaulle, aquando da sua visita à Expo 67, a discursar o célebre “Vive le Quebec libre!”. A rede de metro permite que o visitante possa percorrer a cidade facilmente e, em dias de maior frio, é extremamente conveniente.

A Basílica de Notre-Dame de Montreal é outro local a não perder, mesmo para quem não professe a fé católica. Como obra de arte, construída entre 1823 e 1829, encerra um majestoso órgão, esculturas em madeira e milhares de pequenas estrelas pintadas no seu teto.

Os locais gostam de salientar que foi aqui que, em dezembro de 1994, com grande pompa e circunstância, casou a celebridade do mundo da música, Celine Dion, originária de Charlemagne, Quebec.

Em termos de locais religiosos, Montreal é onde podemos ainda encontrar o Oratório de S. José do Monte Royal (L’Oratoire Saint-Joseph du Mont Royal). Trata-se de uma basílica que nasceu da vontade do Irmão André, hoje Santo André Bessette – foi canonizado por Bento XVI a 17 de outubro de 2010.

Ao percorrer a ruas de Montreal, entre lojas de artigos de consumo ou ofertas gastronómicas de qualidade, o visitante é ainda surpreendido ao virar de cada esquina com a pujante arte urbana.

Esta é uma cidade que, embora não tenha um centro urbano tão moderno como é caso, por exemplo, de Toronto (situada a cerca de 500 quilómetros), deu ao mundo nomes que são hoje conhecidos do grande público. O melhor exemplo é o cantor Leonard Cohen. Não se admire de vê-lo várias vezes, pintado em grande tamanho nas fachadas dos edifícios da cidade, exprimindo bem a saudade que nos deixou após o seu falecimento em 2016.

Se quisermos apontar nomes de artistas mais modernos, temos ainda a banda “Arcade Fire”, que já atuou várias vezes em Portugal e que foi criada nesta cidade, em 2000, por Win Butler e Régine Chassagne. Costumavam ensaiar no Boulevard St. Laurent, onde os fãs podem ainda procurar o nome dos fundadores gravados no cimento à porta do espaço.

Montreal é assim um destino familiar, histórico, culturalmente atrativo e desafiante para que saiba aproveitá-lo bem. Que seja esse o seu caso.

O que fazer em Montreal

Vai visitar uma cidade em constante movimento. Aqui ficam algumas sugestões entre o que pode fazer ao longo da sua estadia. Desde as ofertas gastronómicas, passando pelas propostas culturais e até tecnológicas, há eventos para todos os gostos.

Passeio Gastronómico

Que tal um passeio pela parte antiga da cidade com direito à degustação de algumas especialidades locais?
Esta é uma oferta que pode encontrar com o “Local Foods Tour”. O passeio leva-o na companhia de guias locais que, como bons conhecedores, contam factos e curiosidades históricas sobre esta importante cidade.

Passe pela Basílica de Notre Dame (durante o passeio não se entra), siga pela zona portuária e rua de S. Paulo. Pelo caminho há pausas para conhecer a gastronomia local, onde até se destaca a comida portuguesa! Uma boa oportunidade para conhecer a história da cidade e matar saudades da comida de Portugal, com o toque de Montreal!

Duração: 3 horas
Distância a percorrer: 2-3 km
http://www.localfoodtours.com

IX 2019

O iX 2019 é um simpósio dedicado às novas tecnologias, entre 29 de maio e 1 de junho. A sexta edição do evento organizado pela Société des Arts Technologiques – Sociedade das Artes Tecnológicas – oferece aos participantes a oportunidade de assistirem a conferências de alto nível, workshops, performances e instalações de realidade virtual. O iX 2019 permite experiências ao vivo, que exploram os avanços mais recentes nas áreas da tecnologia sensorial, inteligência artificial, computação imersiva e computação em nuvem que, juntos, transformam radicalmente o mundo em que vivemos. Todo um espaço para a reflexão e ainda para a apreciação das incríveis potencialidades criativas que a tecnologia tem para nos oferecer. www.ix.sat.qc.ca

Montreal Couture

O Musée des Beaux-Arts – Museu de Belas-Artes – de Montreal apresenta, desde 2 de março e até 8 de setembro, uma exposição de trabalhos do estilista Thierry Mugler e presta ainda homenagem ao talento de 10 criadores de moda locais. “Montreal Couture” é assim a primeira exposição que reúne criações de três ícones do Québec: Marie Saint Pierre, Philippe Dubuc e Denis Gagnon. Esta mostra apresenta-se igualmente como uma oportunidade para descobrir outros estilistas, como Helmer Joseph, que combina elegância, romantismo e “savoir-faire” com suas raízes haitianas. Também fazem parte da mostra, trabalhos do criador Ying Gao, Marie-Ève Lecavalier e a dupla Fecal Matter, formada por Hannah Rose Dalton e Steven Raj Bhaskaran, que combinam moda, música e performance.

www.mbam.qc.ca

MAC – Musée D’Art Contemporain

Rebecca Belmore

A nova época de exposições do MAC – Musée d’Art Contemporain – Museu de Arte Contemporânea – começa a partir de 20 de junho com a inauguração da mostra dedicada à artista canadiana Rebecca Belmore. Aquela que é a maior exposição da sua obra até hoje, mostra-nos um caminho percorrido nos últimos 30 anos. Escul – turas, instalações, fotografias e vídeos baseados em performances, caraterizados pela beleza, sensibilidade e resiliência sem limites de uma artista de origem indígena. O seu trabalho explora as relações com o território canadiano, a vida das mulheres, os acontecimentos históricos e a violência contra os povos indígenas. Estamos perante uma das artistas contemporâneas mais famosas e importantes do Canadá. Rebecca Belmore começou a trabalhar no fim dos anos 80 e, entre os temas do seu trabalho, estão as mudanças climáticas, acesso à água, uso da terra, falta de habi – tação e migração. A exposição, organizada pela Galeria de Arte de Ontário (AGO) e curada por Wanda Nanibush, estará patente até 6 de outubro.

Ragnar Kjartansson e The National

A partir de 20 de junho, o MAC vai também exibir o trabalho do artista islandês Ragnar Kjartansson feito em colaboração com a banda de música norte-americana The National. Trata – -se de um vídeo de seis horas onde a canção “A Lot of Sorrow”, lançada em 2010 pela banda, é tocada ao vivo e constantemente repetida. O vídeo foi filmado durante uma performance com o mesmo nome, concebida por Kjartansson. Os The National tocaram a sua música de 3 minutos e 35 segundos, ao vivo, no palco, continua – mente, por seis horas. À medida que as horas passam e a fadiga se instala, os músicos mudam a música de forma subtil. Para o artista é como se a re – petição funcionasse como um “culto” religioso de “ruído branco”. Para ver na totalidade – se conseguir… www.macm.org

Piknic Électronik

A partir de 19 de maio e até 29 de setembro, todos os domingos de Montreal vão ter espetá – culos de música eletrónica ao ar livre num parque urbano a apenas 10 minutos do centro da cida – de. São esperados milhares de entusiastas deste género musical para uma programação diversifi – cada. Há mais de 15 anos que “Piknic Électronik Montreal” é um dos destaques do circuito cultu – ral de verão da cidade. Regressa em 2019 com 21 espetáculos de um conceito que também já se expandiu para além das fronteiras de Montreal. Em 2012, Barcelona recebeu o primeiro “Piknic Électronik”, seguindo-se Mel – bourne e Dubai em 2014 e Santiago do Chile, em 2015.

www.piknicelectronik.com

L’International des Feux Loto-Québec

Entre 29 de junho e 27 de julho, no parque La Ronde, vai ter lugar mais uma edição do festival de fogos-de-artifício “L’In – ternational des Feux Loto-Québec”. É uma competição entre empresas de renome mundial, representando vários países convidados e reconhecida como uma das mais importantes do mundo. Portugal vai estar representado pelo Grupo Luso Pirotecnia com um espetáculo intitulado precisamente “Made in Portugal”. Trata-se de um jogo de luzes azul-néon, pastel e cintilantes, que dançam o som de músicas e canções de programas de televisão conhecidos, como os clássicos “The Love Boat”, “Knight Rider”, “Star Trek”, mas também grandes sucessos da atualidade, como “Narcos”, “Casa de Papel” e “Stranger Things”. A empresa até construiu uma estrutura flutuante especialmente para a atuação em Montreal. Vai ser no dia 10 de julho, que já é um segundo Dia de Portugal desde que a Seleção Nacional venceu o Euro2016 nesta data com o golo de Éder!

www.laronde.com

Marque o seu voo para Montreal em www.azoresairlines.pt.