Entrevista – A wild card voadora

Nunca uma wild card foi tão longe no Red Bull Cliff Diving World Series. A australiana Rhiannan Ifflance chegou, viu e venceu na sua época de estreia.

Como chegou ao Cliff Diving?
Comecei por ser uma especialista do trampolim. Depois passei a representar a Austrália nas competições de saltos para a água. Senti o chamamento quando fui trabalhar para um navio de cruzeiros e vi os meus colegas saltarem de 17 metros de altura.

Conhecia alguém neste desporto?
Fui aos poucos conhecendo atletas que competem ou já competiram no Cliff Diving. O mundo dos saltos para a água de grande altura é uma pequena comunidade e isso também facilitou muito o meu processo de aprendizagem.

Como vê a sua família a participação num desporto tão arriscado?
A minha família entende plenamente os riscos associados a este desporto, mas para dizer a verdade acho que eles estão igualmente fascinados e apaixonados por aquilo que faço.

Foto de Paulo Calisto


Como é que uma estreante conseguiu conquistar diretamente o título?
Comecei no ano passado no Red Bull Cliff Diving World Series como wild card. Aprendi cedo a dominar os meus nervos e pensamentos.

 O título mundial trouxe algumas mudanças?
Sim, mudou claramente. Até na forma como salto… mas tudo o resto se mantém. Agora, tenho de pensar como vou evoluir e continuar a desafiar-me.

Como é um dia típico na sua vida?
Estamos sempre a viajar e vamos treinando onde é possível. Quando estou de regresso a casa, aproveito as manhãs para treinar a minha força e condição física de base. De tarde, treino na plataforma de 10 metros.

O que é mais importante no Cliff Diving – o corpo ou a mente?
Penso que será 50/50. Quando estou no topo da plataforma, a 20 metros de altura, só penso em relaxar e que tenho de confiar no meu treino. É importante controlar o pensamento, o stress e a adrenalina.

Qual a sensação de viver as origens do Cliff Diving nos Açores?
Saltar nos Açores foi uma experiência incrível. Especialmente quanto tivemos a oportunidade de o fazer diretamente das rochas. Foi surreal! Também adorei a sensação de saltar tendo à frente do mar. Senti-me em casa.