Vila Graciosa

A vila de Santa Cruz da Graciosa é um dos tesouros mais bem preservados dos Açores. Quem a visita nunca mais a esquece. Pela tradição, pelo património e pela simpatia das gentes. 

Chega-se ao centro histórico da vila e torna-se rapidamente visível que os locais gostam de receber e que não dispensam uma boa conversa. Afáveis, estão sempre prontos a ajudar.

Ao passear pelo centro histórico da localidade, por entre casas senhoriais datadas dos século XVII e XVIII, pode-se apreciar um conjunto arquitetónico típico da construção açoriana, com cantaria em basalto. O casario, pintado de branco e em impecável  estado de conservação, faz jus ao epíteto de Ilha Branca que desde há muito lhe pertence e é o orgulho da sua população.

Os excelentes vinhos e aguardentes locais são produzidos em currais de pedra que, ao reterem calor, amadurecem as uvas, protegendo-as, ao mesmo tempo, de intempéries e do rossio do mar. A acompanhar, prove a Queijada da Graciosa, um insuperável doce conventual.

Situado no centro da vila, o núcleo-sede do museu da Graciosa está instalado, desde 1977, num antigo edifício composto por granel, lagares e adega. Depois de ser ampliado e reprogramado, reabriu em 2010. Na visita que não pudemos deixar de fazer, tivemos a companhia permanente do simpático senhor Agostinho, carpinteiro responsável pela recuperação de algumas peças expostas e motivo da sua grande dedicação ao empreendimento. O museu tem patente uma mostra de longa duração, intitulada “Ilha Graciosa: Memória e Identidade de um Povo”, através da qual se percebe a importância que a atividade agrícola, os ofícios tradicionais, o culto religioso e as festas populares tiveram – e continuam a ter – na vida local.

O museu da Graciosa foi criado em 1977, com a designação de Casa Etnográfica, tendo mais tarde passado a integrar várias estruturas representativas de atividades determinantes no viver local.

Na vila de Santa Cruz existem três locais que assinalam a necessidade que a ilha teve de se defender, em tempos idos, de corsários e piratas: os fortes de Corpo Santo, da Barra e de Santa Catarina, este último em ruínas.

A igreja matriz, um monumento datado do início do século XVI, é talvez o mais antigo templo da ilha. No retábulo estão expostas seis tábuas quinhentistas de grande valor artístico e histórico, cuja autoria é atribuída a Cristóvão de Figueiredo ou a Vasco Fernandes.

Na praça da vila, o ambiente não podia ser de maior segurança e tranquilidade: as crianças jogam à bola, já de noite, como se estivessem no pátio da escola…

Texto de Maria Correia
Fotos de Eduardo Costa

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