Os DC-6 na SATA: regresso dos aviões de pistão

Em 1976, são cedidos temporariamente, à SATA, a 7 de julho, e por um período de quatro meses, dois aviões DC-6B (CS-TAJ e CS-TAK) para fazer face ao incremento de tráfego conhecido no verão desse ano (tanto em número de passageiros, como em volume de carga e de correio transportado).

O primeiro destes aviões regressaria à SATA, em 1979, como CS-TAM, e o segundo em 1977 (e, novamente em 1978 e 1979), com a mesma matrícula civil inicial. O primeiro DC-6 A/B (CS-TAL) seria também recebido em 1977. Um segundo DC-6 A/B, convertido para transporte misto, de carga e passageiros (CS-TAN), foi cedido em 1979.

Estes aviões operaram nas rotas dos Açores até 1980. Foram tripulados, nesse período, quer por PNT pertencente aos quadros da SATA (mas oriundos da Força Aérea), quer por outros elementos técnicos, incluindo mecânicos de voo, que pertencia à FAP e que vieram com os aviões. Destaca-se, de entre estes, os M/V Caçote e Bernardo, que, cooperaram com os pilotos que constam do quadro seguinte na condução dos voos efectuados nestes equipamentos, durante o período da respectiva operação da SATA.

A cedência temporária dos aviões DC-6 à SATA, através do Ministério dos Transportes e Comunicações, só foi possível devido ao reconhecimento, por parte do Estado Português, de que a operação da SATA se destinava ao bem público e de que a Empresa não dispunha de condições financeiras para investir no aluguer de aviões no mercado civil. Além disso, esta solução não implicava saída de divisas do país e permitia que os trabalhos de manutenção e inspecção dos mesmos pudessem ser efectuados nas Lajes e em Alverca (OGMA), respectivamente.

O pedido de cedência, ou aluguer, através do Ministério dos Transportes, de equipamentos DC-6 existentes nos stocks excedentários da Força Aérea, permitiria melhorar a operação da SATA nos Açores em período de época alta, de modo a atenuar, temporariamente, as carências em material de voo então existentes. Dessa diligência resultaria, então, o acordo de cedência, por parte do estado-maior da Força Aérea, dos dois primeiros aviões daquela origem (CS-TAJ e CS-TAK) para operação civil nos Açores.

A presença destes aviões na SATA, no seu primeiro ano de operação, ficaria associada á inauguração das sessões plenárias do órgão máximo da Autonomia Regional. Com efeito, a 4 de Setembro de 1976, o DC-6B (CS-TAK) serviria de avião presidencial na circunstância da deslocação do presidente da República (PR), general Ramalho Eanes, à Horta, por ocasião da cerimónia de instalação da primeira Assembleia regional dos Açores – ainda nas cores da FAP, mas já com a matrícula civil. Este avião voltou ao Açores, em 1977, já nas cores da SATA.

(…) Em 1979, a SATA manteve a mesma frota dos anos anteriores, designadamente os dois HS-748-2A, já referidos, complementados por dois DC-6B/AB 8 (CS-TAK e CS-TAL), aos quais se juntaria, ainda em 1978, por um período de cinco meses, uma terceira unidade do tipo DC-6B (CS-TAM) vinda de Alverca, onde foi submetida a alterações, com vista a operar comercialmente nos Açores, após a respectiva entrega, para esse efeito, ao ministério dos Transportes e Comunicações, que cedeu à SATA. O quarto (e último) equipamento deste tipo (CS-TAN) entraria ao serviço da transportadora açoriana no referido ano de 1979.

Texto adaptado de Ermelindo Peixoto

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