O regresso de Nelly

Lançou em março o seu sexto álbum, The Ride, o primeiro da artista luso-canadiana nos últimos cinco anos. Um trabalho maduro, fruto de uma visão pessoal sobre a vida e o mundo.

Hoje, mãe de uma adolescente, Nelly Furtado não é a jovem que todos se acostumaram a ouvir e a conhecer em ʺI am Like a Birdʺ.  Estamos em 2017 e Nelly é uma artista mais madura. ʺThe Rideʺ reflete uma visão prática da vida, “um passeio pelos seus altos e baixos, caminhada que passa pela beleza e pelas desilusões de cada momento”.

Depois de “The Spirit Indestructible”, lançado em 2012, este é um trabalho intimista e bastante pessoal. Para Nelly, ʺThe Rideʺ resulta do impacto que o sucesso teve na sua vida, uma vez que era muito nova quando o alcançou.

“O que realmente se passa é que em situações como a minha, em que o sucesso chega quando somos muito jovens, acabamos por viver numa corrida constante. O melhor é sempre mais. Temos muitas solicitações e não há lugar para dizer não. Mas esta corrida, que vivi plenamente e com prazer, teve consequências. Percebi que este não era o meu ritmo naturalʺ.

Nelly Furtado fez uma paragem, para destilar um pouco da sua vida, andando mais devagar. Uma atitude que lhe permitiu ʺreencontrar o prazer na vida artísticaʺ. E o resultado foi The Ride.

ʺUm álbum destes só é possível quando atingimos um determinado nível na carreira, que nos permite descontrair, ter uma visão global e encontrar aquilo que nos dá mais alegriaʺ, sublinha. E afirma que foi um prazer fazer esta produção independente, apesar de todos os medos e dúvidas, sentimentos que são próprios de quem enfrenta desafios a sós. “Os sonhos são muito bonitos, mas não levam a lado nenhum, a não ser que tenhamos à volta pessoas que nos são fiéis e verdadeirasʺ.

A família açoriana incutiu-lhe o amor pelo ʺtrabalho, o respeito pelos outros e uma postura de honestidadeʺ, admite Nelly Furtado, salientando a coragem da sua avó, que emigrou viúva para o Canadá, com dez filhos. “Integra uma geração de mulheres que vieram para um novo país e o conquistaram”, reconhece.

Como compositora, Nelly Furtado é uma artista profícua e as suas composições são sempre inovadoras. Embora em álbuns anteriores tenha colaborado com outros músicos, The Ride é um trabalho mais individual, com um enfoque especial em composições da sua autoria e interpretadas pela própria.

Por fim, refere a parceria que fez com a indústria do turismo dos Açores e realça a sua importância, não escondendo quanto se sente feliz por as ilhas que serviram de berço à sua família estarem a ser mais divulgadas e mais conhecidas internacionalmente.

A compositora ficou também com o seu nome ligado à frota da SATA quando, em março de 2016, foi convidada para ser madrinha de uma das novas aeronaves da companhia, o A330, batizado com o nome de Ciprião de Figueiredo, figura histórica ligada ao movimento autonómico dos Açores.

 

Texto: Humberta Araújo
Tradução: Alison Roberts