Rosais de São Jorge

É o extremo Noroeste de uma das ilhas mais belas dos Açores, com vistas sem igual sobre as que lhe ficam em redor.

Na Ponta dos Rosais, o Atlântico e o vento juntam-se para homenagear as falésias em que a ilha de S. Jorge se tem vindo a esculpir ao longo de milénios. Essa turbulência do passado, todavia, não impede que, hoje, a ilha se deixe dominar pela mansidão das horas, de cuja passagem praticamente não se dá conta.
A grandiosidade da paisagem tem o condão de nos deixar entregues ao silêncio e à reflexão, aptos a compreender a natureza profunda de tamanhas arribas.
Esta é uma área especial de conservação, a mais de 200 metros acima do nível do mar, que é habitat de alguma vegetação endémica dos Açores, como a Labaça das Ilhas, a Não-Me-Esqueças, a Bracel-da-Rocha e a Urze.

O parque florestal das Sete Fontes, com as suas veredas de saibro vermelho, em contraste com uma infinita paleta de verdes e castanhos, integra dois pontos panorâmicos: o miradouro Pico da Velha, com vistas deslumbrantes para as ilhas do Pico e Faial, que nos dá uma perceção singular de arquipélago; e o Miradouro Ferrã Afonso, que permite apreciar grande parte da costa norte de S. Jorge, com as suas escarpas de cortar a respiração, e que disponibiliza churrasqueiras, áreas de piquenique, cerca de animais, área de recreio infantil, zona de desporto e de lazer.

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Na sua humilde imponência, o farol dos Rosais, inaugurado em 1958, foi considerado, na época, o melhor e o mais avançado do país. O terramoto de 1980, porém, determinou a sua evacuação, devido ao desabamento de falésias. Hoje, o equipamento encontra-se abandonado, embora a função não deixe de ser assegurada por um farolim alimentado a energia solar que se encontra instalado no cimo da torre.
Na sua proximidade, é possível visitar uma guarita, recentemente recuperada, e que era usada como ponto de vigia no tempo da caça à baleia.

O nome Rosais tem origem nas muitas rosas com que os primeiros povoadores se depararam ao chegarem àquela parte da ilha. A implantação da freguesia, uma das mais antigas de S. Jorge, remonta a 1568.

Texto de Madalena Rodrigues
Fotos de Jorge Góis